terça-feira, 5 de março de 2013

Alimentos e Emoções!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


O modo de comer é uma escolha, que costuma ser baseada em um estilo de vida. O alimento está poderosamente conectado com as emoções. A pessoa come o que gosta, o que sua cultura prescreve, mas também existe marcante influência das emoções. O contato bucal com o seio é a primeira conexão de prazer do bebê com o mundo. Muitas pessoas que tentam mudar seus hábitos alimentares, pensando apenas na mudança em bases racionais, caem numa armadilha, pois a alimentação tem significados que vão bem além da mera função nutritiva. O alimento pode ser um condutor de afeto, mas torna-se problema quando está substituindo confrontos, rejeições, etc. Para Brillat-Savarin (1995) “ um dos privilégios da espécie humana é comer sem ter fome e beber sem ter sede; de fato, os animais não podem ter esse privilégio, que nasce da reflexão sobre o prazer da mesa e do desejo de prolongar sua duração”

Hábitos e Zona de Conforto - Ao procurar evitar situações incômodas, existe uma tendência da pessoa de procurar um lugar seguro e familiar, onde sinta menos dor, medo, insegurança e tédio. E a procura chega a um lugar, que é a “zona de conforto”. Fazem parte da zona de conforto: comidas doces, cigarros, álcool, drogas, compras excessivas, dormir demais, uso excessivo de celular, de computador, televisão (ficar zapeando sem prestar atenção, só para descarregar ansiedade). Para manter a zona de conforto às vezes aparece mais um comportamento complicador: a necessidade de agradar, de atender as expectativas dos outros. Por exemplo, beber para agradar, comer para agradar. Isto fica particularmente complicado quando se faz parte de uma família “engordativa”, dada a festas frequentes e com mesa farta.

As pessoas obesas têm comportamentos comuns: comem escondido, minimizam as calorias e jamais admitem a própria gula; passam da abstinência absoluta para a voracidade com grande rapidez. Estão sempre “em dieta” ou pretendem começá- la na “próxima segunda-feira”.

As facilidades da vida moderna aumentam o número de obesos, pois as pessoas comem na hora em que têm vontade: a comida está disponível durante o ano todo e o espaço entre as refeições tem diminuído sensivelmente. A alimentação atual é muito rica em carboidratos e gorduras. Além disso, nota-se a diminuição progressiva da atividade física cotidiana, à custa de televisão, videogame, elevador, carro, computador, o sedentarismo em geral. A seguir, as principais causas psicológicas dos “ataques de comer”: 
• Estresse, tensão, ansiedade, medo, impaciência;
• Depressão ou melancolia;
• Cansaço e falta de energia; 
• Necessidades não satisfeitas de alegria, jogo, excitação, ou recreação; trabalho excessivo e pouco divertimento;
• Desejo por amor, afeto, romance, ou satisfação sexual; 
• Raiva, ressentimento, amargura, ou frustração; 
• Sensação de vazio, insegurança, ou um desejo de conforto. 

Ambiente e rotina na obesidade

Ambiente obesogênico é o ambiente promotor de obesidade. Ele promove o acesso amplo e facilitado a alimentos de alta densidade energética, repletos de carboidratos e gorduras e pobres em micronutrientes. Algumas famílias são obesogênicas, na medida em que desconhecem ou desprezam regras de alimentação saudável e de prática de atividades físicas. O ambiente obesogênico pode, inclusive, estar relacionado às eventuais companhias: a presença de outras pessoas pode proporcionar aumento da quantidade de alimento consumida e do teor calórico total da refeição. 

Rotina obesogênica - A rotina diária da mulher costuma ser extremamente desgastante em dois tipos de situação. Uma delas diz respeito à dona de casa (que não trabalha fora), e que tem uma rotina frequentemente tediosa, pois suas funções não passam de realização das tarefas domésticas (lavar, passar, cozinhar) e cuidar das crianças; ninguém costuma valorizar seu esforço, e, além disso, não tem nada para contar (ao marido, por exemplo) no final do dia, pois os eventos são normalmente repetitivos e pouco ou nada emocionantes. É uma das profissões mais “engordativas” que existem (Kaufman, 1993): pouco valorizada, mal recompensada, às vezes desprezada, é na cozinha que ela se refugia para armar suas trincheiras contra o tédio, a depressão e o amargo sentimento crônico de inutilidade. Se o casamento não lhe fornece a sonhada gratificação sexual e afetiva, recorre à comida no papel de substituto. O outro tipo de desgaste pela rotina tem a ver com a mulher que trabalha fora de casa, uma executiva, por exemplo: ela tem que fazer frente a uma série de grandes responsabilidades, praticamente sem intervalos, sendo que às vezes o próprio almoço é feito ao lado do computador ou no restaurante, o tal “almoço de negócios”, que é mais uma “zona de tensão”, e onde amiúde não é fácil lembrar-se de dieta, de contagem de pontos, de aspectos emocionais, etc. A este respeito, a psicanalista argentina Liliana Saslavski comenta as demandas feitas à mulher moderna:

Ser eternamente adolescentes, mas ao mesmo tempo ser mães adultas; ser fisicamente jovens, mas com a experiência da maturidade; mostrar um corpo esbelto, bonito, atraente e ao mesmo tempo serem inteligentes, hábeis, astutas; ser sexies e passionais e ao mesmo tempo autocontroladas; brindar uma imagem hedonista e ao mesmo tempo de autodisciplina são, em síntese, algumas das demandas contraditórias que são feitas à mulher moderna. Como atender a estas ordens da cultura? 

A rotina do homem pode também envolver trabalhos pouco apropriados à criatividade: burocratas em geral, cujas funções são monótonas e repetitivas, de modo que o horário do lanche é o mais esperado do dia. 

Para uma doença tão multifatorial é necessário, portanto, um tratamento interdisciplinar, que possa promover o emagrecimento e, sobretudo, a manutenção do peso, uma vez que a manutenção é, em alguns casos, mais difícil de ser bem sucedida do que o próprio processo de emagrecimento.


Obesidade e Sexualidade Feminina

Dentre os vários problemas decorrentes do fato de ser obeso(a), percebemos que são atingidas áreas sensíveis da existência humana, como infidelidade, insatisfação sexual, raiva e, a coisa mais importante e dolorosa, o medo de ser um fracasso como pessoa.
Algumas mulheres fazem uma ligação inconsciente entre comer doce e o prazer sexual. Elas falam em “orgasmo gastronômico” ao se referirem aos prazeres proporcionados por suas comidas prediletas. Existe relação entre comer exageradamente e sentir frustração sexual. Nem todas as pessoas sexualmente frustradas comem exageradamente, mas o inverso é verdadeiro: as que comem de forma compulsiva não se sentem sexualmente gratificadas (com sensação de plenitude, calma e satisfação). A pessoa sexualmente realizada tem um contato satisfatório com seu corpo, percebe as suas necessidades e procura racionalmente atendê-las. A falta do prazer sexual leva a pessoa a rejeitar seu corpo e a reduz a uma dependência infantil em relação à comida, que passa a ser a única forma de satisfação corporal. 
Várias mulheres, ao se tornarem adultas, engordam com medo de serem transformadas em objetos sexuais; algumas ficam obesas, como forma de neutralizar sua identidade sexual perante as outras pessoas; para estas, o peso constitui-se uma proteção, um escudo, por trás da qual se escondem. Engordar após o casamento é um fato bastante comum; é extremamente raro ver um casal que caiba nas roupas da lua-de-mel após alguns anos das bodas. Sentindo-se mais segura por considerar-se “garantida”, a mulher abandona os sacrifícios do regime restritivo para “premiar-se” com as guloseimas que aprecia, mas era obrigada a privar-se anteriormente. Além da parte sexual propriamente dita, as relações conjugais frequentemente são insípidas, sem sabor, ou tornam-se dramaticamente infernais. Insípidas, quando o relacionamento é vivido no clima do faz-de-conta; infernais, quando os parceiros colocam-se mutuamente exigências difíceis de serem atendidas. Às vezes, o peso da mulher é o principal assunto de sua vida conjugal. Pode até acontecer de ela não emagrecer como forma de demonstrar resistência à vontade do marido. É claro que seu corpo se transforma num campo de batalha, mas esta mulher parece estar querendo se convencer de que é melhor ser “gorda e independente” do que “magra e submissa”. 
A insatisfação conjugal pode chegar a um ponto em que as carências emocionais e sexuais são confundidas com a fome física, e assim podem ser atendidas concretamente, ainda com a vantagem de não depender de ninguém (como o marido) para se satisfazer. “Um mau casamento é tão engordativo como um sundae com calda de chocolate” (Stuart & Jacobson). Muitas mulheres, de forma consciente ou inconsciente, engordam como tentativa de inibir o desejo sexual do marido e também o seu próprio interesse sexual. Isto ocorre, sobretudo, em três tipos de situações: quando o marido é muito gordo e sua obesidade causa repugnância à mulher; quando a vida sexual do casal torna-se extremamente rotineira e monótona; e quando o marido é desinteressado sexualmente. Engordar, para manter o marido à distância e evitar o sexo, curiosamente não acontece nos casamentos mais infelizes (nos quais é mais fácil dizer “não!”, além de que os maridos também já não estão interessados em sexo), mas nos casamentos medianamente infelizes, onde a estabilidade da relação parece ser mais importante do que o amor-próprio e do que o próprio corpo. Há mulheres que engordam muito a partir da gravidez, não só pelas questões hormonais envolvidas, mas porque psicologicamente trocam o “papel de mulher” pelo “papel de mãe”, isto é, a mãe deve permanecer “o mais virgem possível”, e engordar é uma forma de manter essa “virgindade”.
Para uma doença tão multifatorial é necessário, portanto, um tratamento interdisciplinar, que possa promover o emagrecimento e, sobretudo, a manutenção do peso, uma vez que a manutenção é, em alguns casos, mais difícil de ser bem sucedida do que o próprio processo de emagrecimento.


beijos

Carol Foltran


Postar um comentário